As ideias apresentadas neste blog são meramente indicativas e não terapêuticas.
Cabe portanto, aos pais, a procura de ajuda especializada e adequada.

terça-feira, 6 de janeiro de 2015

Conversando com as crianças sobre a morte

O significado dado à morte pela criança varia de acordo com alguns fatores, entre os quais o primeiro a ser considerado é a idade.
Assim que a criança tiver idade suficiente para se vincular, pode ter consciência da possibilidade de perder a pessoa amada, de ter os vínculos rompidos.
Desde pequena a criança tem consciência da existência da morte, embora essa consciência possa não ser identificada pelos adultos, pois é expressa com os recursos disponíveis pela criança. Nem sempre ela fala da morte, mas pode representá-la lúdica ou graficamente.
No âmbito familiar, uma grande dificuldade para os pais está exactamente na necessidade que a criança tem de fazer perguntas muitas vezes complexas. Colocam questões profundas sobre o ser humano, sobre a vida e sobre a morte. Quando alguém da família de uma criança morre, ainda que se tente omitir ou negar, ela irá perceber através das atitudes transformadas ao redor. O facto é que, mais cedo ou mais tarde, ela vai descobrir. Omitir-lhe a verdade seria algo grave, seria como ignorá-la só porque ela não fala como os adultos, como exclui-la da família e pior ainda, se as pessoas mais próximas em que ela deposita toda a sua confiança não forem capazes de falar sinceramente sobre a morte, ela tomará isso como um modelo a seguir e nem ousará perguntar a respeito daquilo que a sua percepção lhe diz.
O que o adulto não sabe, é que as crianças questionam sem angústia a respeito da morte até cerca dos sete anos. Por volta dos três anos de idade esta questão começa a aparecer.
Existem animais domésticos que morrem, elas ouvem histórias, conversas, o conceito de que as coisas acabam e que os limites existem, já estão estabelecidos desde muito cedo.
Se a criança estiver bem amparada, terá mais possibilidades de elaborar, da forma mais sadia possível, o momento do luto.
A conclusão de uma conversa franca com uma criança sobre a morte, sem medo, tem sempre um tom positivo, só de facto de estar perto, falar a respeito e ouvir, já é positivo.Todos os seres humanos aceitam a morte de uma forma singular. Devemos respeitar, no mínimo, a maneira que as crianças encontram para superar o momento da morte. Elas têm perguntas e buscam o conhecimento e nós adultos, que muitas vezes, acreditamos que sabemos muito, ouvimos delas as melhores respostas para as perguntas que não saberíamos responder.

sexta-feira, 2 de janeiro de 2015


Medos infantis

Toda a criança pode apresentar algum medo específico no decorrer das suas experiências de vida, porém alguns medos são colocados pelos próprios pais.
Quantas vezes já ouvimos uma mãe dizer ao filho: "Se não comes a sopa, vais tomar uma injecção" resultado: sempre que a criança vai tomar uma vacina ou entra num consultório médico começa a chorar e  mãe a ralhar com ela. ora, quem é que ensinou a ter medo da injecção? Foi a própria mãe.
Outras mães ensinam o medo dos ciganos, do papão, do polícia, etc... e depois não entendem porque é que a criança reage com choro diante de estranhos!
A criança imita o comportamento do adulto, portanto, se vê a mãe com medo da trovoada, de lugares estranhos, etc... tenderá a ter medo das mesmas situações em que vê o adulto a ter medo.
Quando o medo já está instalado, não devemos forçar a criança a enfrentá-lo, porém devemos encorajá-la a fazê-lo gradualmente.Por exemplo, a criança tem medo de entrar no mar, brinque com ela na areia para que se vá acostumando ao barulho das ondas, etc.... Quando menos esperar, o medo vai passar.
Em qualquer caso de medo às coisas ou situações deve-se ter paciência, fazendo a criança enfrentar o medo adequado quando se trata de crianças.



quarta-feira, 31 de dezembro de 2014

Distúrbios do sono nas crianças

Em cada idade o sono tem características diferentes. O recém-nascido, por exemplo, dorme de dezasseis a vinte horas por dia, enquanto o jovem adulto dorme oito e o idoso apenas seis ou sete horas.
O sono do bebé é mais longo e diferente do sono dos adultos. Os pais costumam notas que os seus filhos são mais ativos e expressivos mesmo quando estão a dormir. Produzem uma variedade de expressões faciais, incluindo sorrisos, caretas e outras. também fazem ruídos e movimentos. Isso ocorre pois, nos bebés, o processo de inibição das atividades motoras ainda não está amadurecido.
Para a maioria dos pais, um grande marco da infância é a primeira vez que o filho dorme durante uma noite inteira. Em geral, isso não acontece antes dos três meses de idade. Entre os três meses e um ano, a criança estabiliza os seus hábitos de sono, mas ainda não de forma contínua, pois a maioria costuma acordar pelo menos uma vez, exigindo a atenção dos pais.
Os distúrbios do sono estão às vezes relacionados com angústia de separação (a noite é o momento por excelência na qual, ao acordar, a criança tem consciência de estar sozinha) e/ou como resultado de uma mudança nas circunstâncias da família que submete a criança uma tensão extra.

Algumas técnicas que ajudam a criança a dormir:
  • Estabelecer um ritual associado à hora de ir dormir: dar um copo de leite, vestir o pijama, contar uma história, cantar uma canção de embalar, etc...
  • Deixar acesa uma luz bem fraquinha. Não é raro a criança se sentir abandonada quando não consegue enxergar os objetos familiares no quarto escuro.
  • Dar à criança um "objeto de transição": um peluche, um travesseiro ou uma fralda. A função do objeto de transição é suavizar o momento separação dos pais na hora de ir para a cama. Este objeto transmite uma sensação de calor, conforto e segurança.
  • Não dar achocolatados e refrigerantes antes da criança dormir.
  • Não ficar disponível demais para a criança durante a noite. Se ela fizer manha ou chorar, espere um pouco antes de entrar no quarto.
A falta de sono em crianças nem sempre causa sonolência durante o dia, podendo apresentar um conjunto de sintomas muito enganador: o de hiperatividade, dificuldade de relacionamento, irritabilidade e agressividade. Em geral, não se conseguem concentrar quando interagem com adultos e na escola.

terça-feira, 30 de dezembro de 2014

A criança que urina na cama

Chama-se enurese noturna o ato de urinar na cama à noite  de maneira involuntária.
A enurese é primária se a criança ainda não tinha aprendido a ser asseada (a data normal desta aprendizagem é o segundo ano de vida). Entre os 3 e 4 anos pode considerar-se um simples atraso. Depois dos 4 anos a enurese é indiscutível. A enurese chama-se secundária quando se manifesta depois de um período mais ou menos longo de asseio.
Em primeiro lugar devemos excluir a hipótese da enurese ter uma causa orgânica entre elas, a diabetes e problemas no aparelho urinário. Deve-se, portanto, consultar um médico para eventualmente afastar essa possibilidade.
Se fisicamente a criança não apresenta problemas, as razões que a fazem perder o controle urinário à noite podem ser de origem emocional, devendo-se então, verificar se não há condições que possam causar ansiedade ou medo na criança, como por exemplo, a entrada na escola, discussão entre os pais e separação. Por vezes estes fatores são tão difíceis para a criança,que à noite poderá ter o sono agitado em função do stress enfrentado durante o dia.
Como consequência pode não perceber os sinais de bexiga cheia e a vontade de urinar, durante o sono.
Por outro lado, a enurese pode ser produto de um comportamento regressivo por parte da criança.
Temos por exemplo, quando nasce um irmão, a criança pode achar que os pais já não lhe dão atenção e em função disso, passa a comportar-se " como um bebé", voltando a urinar na cama.
Seja qual for a causa, nunca devemos bater, repreender ou ridicularizar a criança, pois além de não surtir efeito, poderá agravar o caso.
Os pais devem tentar verificar qual a provável causa da enurese e se possível tentar resolvê-la.



A criança filha de pais separados

Actualmente assiste-se cada vez mais a crianças com os seus lares desfeitos. Quanto mais perturbados forem os últimos meses de um casamento infeliz e consequente divórcio, maiores serão as possibilidades de haver sequelas no comportamento infantil.
Muitas das vezes a separação é realizada de maneira brusca, com ressentimentos mútuos, onde a criança é colocada numa posição de arbitro. Quando está com a mãe, esta só fala mal do pai e vice-versa. A criança fica num conflito de lealdade, pois não podendo tirar partido de um dos lados, poderá então, manifestar uma alteração no seu comportamento.
São muitos os casos de enurese noturna (urinar na cama à noite), fobia escolar, baixo rendimento académico, medos, tiques nervosos, causados por conflitos familiares.
Outro factor devastador no universo emocional infantil é quando, após a separação, o pai deixa de visitar a criança. Às vezes é a mãe que não permite, outras é o pai que, como forma de agredir a ex-mulher, passa a não visitar os filhos.
O divórcio em si já causa bastante ansiedade na criança, modifica o padrão de vida da família, podendo vir a mudar de casa e ainda ficar privada da presença do pai. O facto de não receber as visitas do pai,causa a sensação de que, de alguma maneira, foi responsável pela separação dos pais. É um sentimento de culpa muito pesado para ser carregado por uma criança.
A melhor forma de lidar comeste problema é ir preparando a criança para a provável separação, explicando-lhe as mudanças que vão acontecer na sua vida.não é preciso falar sobre o motivo, o ideal é falar que "o pai e a mãe já não se gostam como marido e mulher, porém gostam dela da mesma maneira".
Deixe que a criança faça perguntas sobre o que vai acontecer com ela, para um ajuste aos poucos às mudanças que ocorrerão.
Por mais difícil que seja, o casal deve portar-se amigavelmente tendo em vista o bem-estar dos filhos.


quinta-feira, 4 de dezembro de 2014

Estimulando a inteligência do bebé

Todo o esforço para estimular o bebé é interessante, mas os pais não devem forçar a criança. A aprendizagem também depende do afeto: se a mãe conversar com carinho com o bebé e o tratar como um ser inteligente, é claro que ele vai responder a esses estímulos de forma carinhosa e inteligente.

Dicas para estimular a inteligência do seu filho:

  • Durante a gravidez- O bebé ouve a partir do quinto mês de gravidez e conversar faz com que ele se acostume à voz do pai e da mãe. Se contar histórias simples e repetidas, depois do nascimento ele pode até ficar mais calmo quando as ouvir novamente.
  • 0 aos 3 meses- Quando o bebé chorar, fale para mostrar que está por perto antes de atendê-lo. Cante e converse com o rosto perto dele. Massajá-lo desenvolve o tacto e a capacidade afectiva. Use brinquedos e dê objectos  de cores vibrantes para ele pegar, como mordedores e chocalhos.
  • 3 aos 6 meses- Ele já segue os objectos com o olhar. Brincadeiras "escondeu-apareceu" ajudam-no a controlar os sentimentos de tristeza pela perda e de alegria por reencontrar o objecto. Os pais devem conversar com ele com bastante frequência.
  • 6 aos 12 meses- É a altura em que a área da linguagem está no seu momento chave. A partir do sexto mês, o bebé mostra firmeza para sentar e os pais devem estimulá-lo a gatinhar.Devem ajudá-lo também a reconhecer sons, odores e sensações tácteis.
  • 12 aos 18 meses- É a fase em que o bebé começa a andar e a pronunciar as primeiras palavras. Os pais devem estimulá-lo a usar a linguagem e desenvolver a sua coordenação motora.
  • 18 aos 36 meses- Os pais podem utilizar cartolinas para familiarizar a criança com as palavras e com os números.
  • 3 aos 6 anos- A criança é capaz de entender notas musicais e deve brincar com instrumentos simples, como a flauta. É um bom momento para que ela comece a se familiarizar com uma língua estrangeira.
Da gestação até aproximadamente aos seis anos, a mente está no seu melhor momento para assimilar novas informações. Quanto mais os pais conversarem com a criança e propiciarem uma estimulação adequada, melhor será o seu futuro.